21 setembro 2006

Saudades de Pipa

O ano era 1991 quando eu entrei num ônibus caindo aos pedaços com mais três amigos (todos com pouco dinheiro no bolso e muito esperma pra gastar) pra conhecer a praia de Pipa... estávamos indo já um pouco tarde, pois a praia já era comentada e diziam que havia uma concentração de porra-loucas muito bacana e um mulheril sem frescura de chinelo no pé (gringas ou brasileiras, tanto fazia, o que importava era o xibiu). Era um lugar onde o povinho bunda de Natal (que adora um forrozinho, vaquejada e não perde um Vila Folia) não ia nem a pau! Por isso lugar mais recomedável não havia pra quem odeia lugares comuns, festas da moda que o cidadão potiguar mediano tanto adora.

Descemos do ônibus à noite e debaixo de muita chuva, sem ter nem idéia onde encontrar uma pousada barata... eis que aparece um pivete (também conhecidos como "boy" ou "maloqueiro") e se oferece pra indicar um lugar barato pra gente! Foi aí que conhecemos a Pousada do Francês, na descida ali perto do Laricão.

O francês era um senhor muito simpático casado com uma nativa, que com ela já tinha 3 filhos. Logo na primeira noite inventamos de comprar uma cachaça e fomos "tomar uma" com o francês, sem saber que ele não podia beber, pois quando ficava bêbado baixava o cacete na mulher, os famosos "catiripapos"! Só descobrimos quando ouvimos os gritos da pobre coitada à noite.

Foi uma semana de muita cachaça e fulêragi e de repente já estávamos apaixonados pelo clima "cagando-e-andando" do lugar... mas xibiu que é bom não rolou! Mas ninguém se importou, a gente foi embora, com as "bolas cheias", mas já pensando em voltar!

Só sei de uma coisa... depois de uma década inteira fugindo da cidade pra essa praia sempre que possível, depois de muitas e muitas histórias de cachaça, mulher e rock n' roll (que dariam no mínimo uns 10 posts neste blog), hoje a Pipa não é mais a mesma! A praia de repente virou moda e o que era pra ser alternativo virou modismo. Tem até mulher otária e perfumada andando de salto alto em plena rua principal! De repente ficou "in" beber (socialmente) em Pipa, ver e ser visto.... virou um point bem frequentado pelas melhores famílias potiguares.

E pra enterrar de vez o passado glorioso de Pipa, eis que surge o carnapipa na Praia do Amor!

ps: sei não... incrível como a juventude sarada, endinheirada e retardada de Natal tem a capacidade de transformar tudo num lixo, numa bosta artificial, ao som de axé e, no máximo, pra os mais descolados, um "emocore" qualquer... ah, uma tenda eletrônica também é legal...

ps2: filhos de uma puta!

4 comentários:

Anônimo disse...

Concordo em grau, gênero e número com sebástian ! Parabéns pelos comentários

Anônimo disse...

Tambem concordo sem tirar uma virgula! Assim como a pedreiragem representa os farofeiros da "elite", a "elite" representa os farofeiros da galera "True" hahahahahaha, o nome é gay mas é verdade!!!

Galego de Campina disse...

Em uma coisa o Natalense não defrauda a niguém e isso é: EM CAGAR O PAU REDONDINHO, Vá aonde vá!

Bando de cagões inúteis que só sabem cagar tudo ao seu redor e seguir em frente(inexplicavelmente) com sua lógica de gente de plástico...

Biu do Olho Verde disse...

Concordo com quase tudo que foi dito, mas só faço uma ressalva: principalmente nos feriados, se a pessoa for fazer um censo, talvez dê mais paraibano e pernambucano otário do que natalenses do mesmo calibre...
E só como registro, pena que eu não tenha aproveitado nem um décimo que vcs aproveitaram por ali. Se brincar a primeira vez que eu passei por Pipa foi só em 96, pelo menos no que eu me lembro.