10 outubro 2009

Piratas da Somália (parte 06): Remando contra-corrente

O ser humano não deixa de surpreender: uma e outra vez surgem notícias de casos supostamente insólitos de indivíduos que por assim dizer remam contra a maré. Na verdade, deveríamos pensar talvez que estes são simplesmente exemplos de que a exceção confirma a regra, que nem todos deixam-se tratar como gado.


Este é o caso de MaolQeyobdid, que traduzido livremente do Somalí significa 'Coisinho Ruim' (por praticidade, nos referiremos a ele por Coisinho). No passado, Coisinho dedicava-se à pirataria marítima, a exemplo de seus agora célebres ex-companheiros de aventuras. Até que um belo dia decidiu que faltava emoção à coisa e resolveu abandonar a costa e adentrar-se na Somália profunda, zona fronteiriça com a Etiópia, para piratear em terra.















"A água os tornou muito brandos", e ainda, "toda essa galera nas tvs do mundo inteiro por causa de sequestros em barcos pesqueiros são um bando de morde-fronhas!" são algumas das declarações feitas por Coisinho ao ser preso e indagado porque escolhera o deserto.


"Queria ver se teriam culhões pra atacar um navio a sério!", ironizava Coisinho (à data desta postagem, sabe-se que ex-companheiros de Coisinho, de sua querida Velha Guarda, foram presos ao tentar abordar um navio da marinha francesa).


Em sua nova empreitada, Coisinho comeu o pão que o diabo amassou, na verdade, nem isso! Coisinho alimentava-se de cocô de cabrito e de outros animais que cruzavam aquela imensa região quase desértica, onde o pouco que havia era areia e miséria.


Durante um tempo Coisinho ia tirando com um biscate ou outro, uma que outra trapaça e malandragem. Até que um dia, puto da vida, encontrou-se com uma das células locais da Al-Qaeda. Coisinho, um fulano de poucas palavras e de atos de impacto, mais duro que carne de pescoço, foi subindo às custas de uma mistura de violência e perspicácia na estrutura local até descobrir o negócio dos Dvds. Fascinado com aquele suporte que transportava imagens de um mundo radicalmente distinto ao seu, passou a devorar a cinemateca local. Almoçava Kubrick, devorava Eisenstein e Fassbinder e, para sobremesa, Truffaut e Goddard.


Por alguns meses, Coisinho foi feliz. Até que um dia, com a crise econômica global impulsionada pela situação hipotecária nos EUA, os membros locais da Al-Qaeda resolveram apelar pro cine comercial e transferiram Coisinho ao departamento de legendagem, ripagem e gravação de comédias românticas e blockbusters americanos. Para Coisinho, aquele foi o início do fim. Farto de eliminar as legendas em Hebreu dos DVDs que recebia e de adicionar as versões em castelhano e português (o alemão e o francês lhe encantavam) às cópias que produzia para venda no mercado negro do Raval em Barcelona, Coisinho resolveu chutar o pau da barraca.


Qual Tarantino pouco inspirado em Malditos Bastardos, Coisinho resolveu fazer uma grande fogueira com todo o material a que tinha acesso no seu departamento (desde Post-its, rotuladores e canetas pilot, à benzina e todo o material gráfico e plásticos para embalagem dos DVDs-pirata) e queimar a célula local da Al-Qaeda.


Resumindo outra larga história: armou-se o cú-de-burro na área abcdista da Somália e o pau comeu. O conflito instaurado a seguir concluiu-se com o desmantelamento e prisão de todos os membros da célula terrorista local, com a participação de uma coalição internacional anti-pirataria, terrorismo e viadagem. O próprio Bin Laden, de tão puto, declarou Jihad a qualquer um com intenções de abrir uma outra franquia na Somália.


Nos seus 15 minutos de fama, quando sua história foi dada a conhecer ao mundo, Coisinho não disse nada, simplesmente sorriu e seguiu adiante. Mesmo a caminho de uma prisão, era feliz novamente.


(Na foto superior, Coisinho em Baarbacadle, quando ainda tomava banho)

3 comentários:

Anônimo disse...

tennho a nítida impressaõ q os piratas da somália serão tão perigosos como a Al Qaeda. Já estão aprendendo alguma coisa com a rede terrorista, como vc relatou nessa historia impressionante

Pirata disse...

Já disse: "É nóis!!!"

Coisinho disse...

"Coisinho rules!!!"