21 janeiro 2010

Figurinha carimbada do RN: o rabequeiro solitário (in memorian)

:P
Fazia tempo que eu não falava das figurinhas carimbadas que habitam o Estado do RN. Mas aí eu soube da notícia da morte do rabequeiro solitário que tocava rabeca pelas ruas do centro (especialmente ali na Sorveteria Tropical do Bairro Petrópolis), e resolvi prestar uma homenagem póstuma.

Sério. Difícil era não se emocionar com as músicas tocadas por André (esse era o nome dele) em sua rabeca (a prima pobre do violino). Ele não falava, não importunava ninguém, e tinha um repertório bem "fuleirinha", singelo e recheado de músicas infantis. Músicas maiores e mais elaboradas, ele tocava só um pedacinho.

Só sei que desde a década de 70 eu o via tocando pelas ruas da cidade. Foi uma longa e estável carreira, sem sobressaltos ou detalhes desabonadores comuns a tantos "artistas". Nunca voou alto, nem foi reconhecido pela crítica. Nunca teve fã-clube. Nunca o vi na TV local. Mas era bem conhecido e respeitado, a ponto de ninguém ignorá-lo e ficar indiferente diante da sua presença. Toda a admiração vinha somente na forma de moedas. Tinha tabela de preços (o show particular custava R$ 2,00), mas era só pra constar, pois diversas vezes dei menos de 1 real quando não tinha tudo. Posso afirmar que as tardes de sábado tomando sorvete na Tropical ficaram bem mais tristes.
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4 comentários:

João da Silva disse...

Sem sobressaltos um caraleo. Teve uma vez que uns mazelas roubaram a rabeca original dele. Aí fizeram uma "vaquinha" pra comprarem essa que ela usou até morrer.
Notícia triste. O fim de uma era.

Sebastián Pitombeiras disse...

Eita porra! É msm! Teve esse episódio!

Carlos Augusto [Floyd] disse...

Tá bom agora da Tropical baixar o preço do sorvete, já que não vai mais pagar couver artístico...

Evandro Lobão disse...

Desde que me entendo por gente (me entendo???). Bem, desde que eu era pequeno tenho na memória a figura do rabequeiro solitário (se ele fosse violento seria quase como o enigmático "homem da harmônica", protagonizado por Charles Bronson em "Era uma vez no Oeste").

Agora junta-se ao rol de "preçonajes" natalenses, ao lado de "Caranguejo com batata" (que gritava nas ruas "Aluísio é um hômi, Zé Agripino é um viado"), "Pow-Pow" (quase um Ewok), "Dorme em pé" (um poético andarilho que quase nada falava) e "Mary do Apocalipse" (a que puxava uma cordinha e uma caixa contendo... nada). Figuras lendárias.